O Senado aprovou, depois de longa demora, o fim da escala 6×1. Caiu uma jornada de trabalho extenuante, que assola o lombo do trabalhador, que priva a ele o tempo necessário de descanso e de convívio com os amigos e os familiares. Não bastava ganhar muito mal, não bastava chegar no fim do mês sempre apertado. Ainda tinha que trabalhar seis dias na semana, sem nenhum respiro.
A classe cansou. Ela se organizou para protestar nos principais centros urbanos do Brasil, num grito que ecoou por toda a classe e rapidamente viralizou pelo país. Tivemos até mesmo greve, como foi o caso dos bravos lutadores da Pepsico. Sem sombra de dúvidas, a vitória da pauta no parlamento tem somente um responsável: o proletariado brasileiro.
No entanto, como mostrava Marx em O Capital, as diminuições na jornada de trabalho são preparadas pela própria dinâmica da relação capitalista de exploração. É o desenvolvimento da produtividade e da intensidade do trabalho que faz com que este se torne mais difícil de ser realizado na jornada dada. A diminuição da jornada, em parte, é também solução do capital. O trabalhador mais descansado consegue, num tempo menor de trabalho, ser mais produtivo (e mais lucrativo para o capitalista) que o extenuado. Marx nos fornece em O Capital muitas declarações de capitalistas surpresos com o fato de que a diminuição da jornada fortaleceu seus lucros de longo prazo (ainda que não os de curto).
Os trabalhadores nem precisaram de muito esforço para fazer valer seus interesses contra a escala 6×1. E é aí que mora o perigo. A burguesia rapidamente olhou para seus deputados, seus senadores, seus ministros, e pediu socorro. Receosa de um levante ainda mais violento dos trabalhadores, ela apelou para o Congresso cantando o lema de “dar os anéis para não perder os dedos”. O parlamento, animado com a possibilidade de aprovar uma PEC de enorme potencial para acumular votos nas eleições gerais, acenou positivamente. Juntaram a fome com a vontade de comer. Mesmo com uma lentidão de mais de ano, correram para viabilizar a votação e, em um dia, o Senado tornou lei o projeto da jornada 5×2.
“Um dia a mais de descanso, mas o lucro tem que continuar firme e forte!” Esse foi o raciocínio da burguesia. “Um dia a mais de descanso, e aí eu garanto a minha eleição!” Esse foi o raciocínio do Congresso Nacional. A classe trabalhadora não é boba. Ela sabe muito bem que a aprovação da PEC, por mais importante que seja, é uma vitória parcial. Ela não resolve a miséria, não resolve a carestia de vida, não resolve o subemprego e a informalidade que pressionam os salários para baixo. E ela sabe que pode avançar na sua luta contra a exploração capitalista desenfreada.
A TS entende que o fim da escala 6×1 dá um importante sinal para o proletariado. Sinaliza que é possível ir além das ruas e chegar aos locais de trabalho. Agora é a hora de dizer: “você, patrão, me deu um dia a mais de descanso, mas agora eu quero que o meu salário seja corrigido com a inflação mensal e que meu emprego seja garantido contra qualquer demissão”. Essa é a palavra de ordem para colocar de joelhos a burguesia e seus gerentes da política nacional. É a escala móvel dos salários e das horas de trabalho. Salários reajustados com a inflação mensal dos produtos básicos, sem demissões e com as horas de trabalho divididas igualmente entre todos os trabalhadores disponíveis para o trabalho, inclusive os que estão na informalidade e no subemprego.
Sem vincular o problema da jornada ao do salário e ao do desemprego, não há saída para os trabalhadores. Sem um programa que toque nesses três pontos ao mesmo tempo, o trabalhador que “ganhou” um dia de folga, com diminuição em sua renda e medo do exército de reserva, pode ser obrigado a ocupar esse dia a mais com outra fonte de renda, no trabalho informal e precarizado.
Devemos, sem dúvida, valorizar e reconhecer o primeiro resultado de uma luta que é da classe trabalhadora por inteiro. Mas não podemos cair na zona de conforto dos fáceis resultados parlamentares. É hora de prosseguir, sem recuar, mirando no chão de fábrica e nos demais locais de trabalho. Se correram tão rápido para dar um dia a mais de descanso, por que não brigar pelas nossas condições de vida mais básicas, que os capitalistas tiram um pouco mais a cada dia para engordarem seus lucros?
VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!
RADICALIZAR A LUTA!
EM DEFESA DAS CONDIÇÕES DE VIDA DOS TRABALHADORES!
LUTE COM A TRANSIÇÃO SOCIALISTA!