Transição Socialista

Garis: vitória da classe!

Neste dia 08 de março, os garis da cidade do Rio de Janeiro obtiveram uma grande vitória que certamente vai servir de exemplo para toda a classe trabalhadora do Brasil. Em oito dias de mobilização, a greve foi uma lição de luta política como não se via há muito tempo. Primeiro, os companheiros enfrentaram o sindicato corrupto, que nem sequer era eleito por voto direto. Após uma manobra inicial dos delegados sindicais, que queriam reeditar a velha fórmula da greve de fachada, encerrando-a com um acordo bom para o patrão e miserável para o trabalhador, os garis disseram “não!”, mantiveram a mobilização e desautorizaram o sindicato, elegendo uma direção da greve, um comando de greve com 10 representantes, todos eleitos em assembleia pelo voto direto da mão levantada.

Em seguida, os trabalhadores enfrentaram a Comlurb e o prefeito Eduardo Paes. Todo o tipo de manobra foi usada contra os grevistas. Foram deslegitimados e chamados de ignorantes, em seguida, quando a greve ganhou força, Paes classificou o movimento como um “motim de 300” delinquentes “sem representatividade na categoria”, que estavam coagindo os demais a não trabalhar. A resposta foi rápida: uma grande manifestação no centro do Rio, que contou com ampla solidariedade da população carioca. “Se são 300, porque é que a cidade toda tá uma imundice?”, questionava um dos grevistas. Para tentar quebrar a paralisação, Paes insistia que a greve era uma mentira e colocou os caminhões de coleta para circular escoltados pela polícia, tentando de todo modo intimidar a categoria.

Nada, porém, parecia surtir efeito, unidos, os garis mantiveram até o fim a combatividade e não cederam mesmo depois de a Comlurb demitir, por SMS, 300 trabalhadores. Neste sábado, até o início da tarde, Paes insistia na ideia do motim e de que não recuaria, enquanto os trabalhadores realizavam um novo ato com adesões de outras categorias. Acuado, Paes foi obrigado a ceder, e os garis tiveram um aumento de 37%, mais benefícios!

Algumas lições podem ser tiradas desse processo vitorioso. Primeiro, como lembrou um professor da rede municipal do Rio, solidário ao movimento dos garis: “vocês lavaram a nossa alma, porque a gente foi traído pelo sindicato igual a vocês, mas vocês deram a volta por cima”. Os garis ensinaram que é possível obter conquistas reais se a classe se unir e não der ouvidos à burocracia sindical, cujos interesses mais ou menos corporativos, mais ou menos comprados pelos patrões se impõem como um bloqueio. É hora da classe forjar novas lideranças na luta e não no gabinete!

Em segundo lugar. A greve ganhou uma dimensão nacional pelas circunstâncias que a cercam, ou seja, pela lembrança ainda viva dos levantes de junho, tanto na consciência de luta dos manifestantes — atestada pelas palavras-de-ordem da greve —, quanto na imensa solidariedade nacional alcançada. Outra circunstância, não menos importante, na verdade estrutural, e que corre imperceptível, é o agravamento da crise econômica brasileira, com sinais claros da perda do poder de compra da classe trabalhadora, abalando diretamente o pilar de sustentação da retórica dilmista.

Em terceiro lugar, o horizonte da Copa e das Olimpíadas. Tais eventos materializam com absoluta concretude o retrato do país: está claro para qualquer um que a classe trabalhadora e a juventude não vão ter ganho nenhum com estes eventos, mantendo o atual estado de coisas. Ou seja, enquanto o povo brasileiro é enxovalhado, e quando se manifesta é tratado como delinquente, bandido ou animal, os políticos corruptos seguem impunes sua rotina de roubo e interesses privados.

Como disse um grevista na assembleia após a negociação vitoriosa: “amanhã nós vamos chegar de cabeça erguida para trabalhar, quem vai por os rabos entre as pernas vai ser a gerência e quem não acreditou na luta”. É hora de aprender com os garis cariocas!

“Chamou a gente de burro
Falou que é motim
Êêêêêh
Ganhamo nosso dim-dim”

“É um momento histórico para os gari, pro Rio, pro Brasil”
“A luta apenas começou, companheiros”

Adiante, companheiros!