Transição Socialista

EM 2026: VOTE NULO!

Mais uma eleição presidencial se aproxima. Mais uma vez, Lula contra um Bolsonaro. Não é o Jair, mas sim seu filho mais velho, Flávio, o “01”. O cenário, porém, não muda. Estamos diante de um pleito eleitoral que, tal como em 2022, reúne candidatos que, mesmo favoritos numa disputa que tende a ser acirrada, colecionam os maiores índices de rejeição. E por que é assim?

Comecemos por Flávio Bolsonaro. Herdeiro político de tudo o que representa o bolsonarismo, o “01” vende um discurso mais moderado que o do pai, mas defende e participa da mesma política mesquinha e criminosa que vimos entre 2019 e 2023. Em primeiro lugar, representa uma ameaça às mulheres, aos negros, à população LGBTQIA+, parcela significativa da classe trabalhadora no país. É apostando no ataque direto e na opressão a esses grupos que ele se capitaliza politicamente. Para além disso, está enlameado de corrupção da cabeça aos pés, vinculado ao que há de mais podre nas milícias cariocas. Quem não se lembra do escândalo das “rachadinhas”? Flávio também participou ativamente de um dos maiores escândalos da história recente do Brasil, que tomou conta de toda a institucionalidade burguesa no país, seja situação, seja oposição, seja no judiciário, seja no legislativo: o caso do Banco Master.

Caso eleito, Flávio pautará a anistia de todo o alto escalão que participou dos planos golpistas na virada de 2022 para 2023, incluindo Jair Bolsonaro. Seu plano é o de proteger a familícia a qualquer custo, mesmo que para isso dependa da corrupção de juízes, deputados, delegados federais e policiais militares estaduais. A putrefação do Estado democrático burguês brasileiro, com todas as suas brechas institucionais, permite ao clã dos Bolsonaro seguir como alternativa viável na política nacional. E é dessa mesma putrefação que esse clã se alimenta.

Se os Bolsonaro gozam de rejeição tão alta, Lula não fica muito atrás. O lulismo carrega consigo o histórico dos grandes escândalos de corrupção desde que assumiu o poder nos anos 2000, com o mensalão e o petrolão nas cenas principais. Mas isso é olhar apenas os elementos mais imediatos. Para nós é importante ressaltar, uma vez mais, que o PT, tendo Lula como seu principal dirigente, conseguiu se transformar no legítimo partido da ordem democrático-burguesa no Brasil. Mediante o aparelhamento dos principais organismos de luta dos trabalhadores, o lulismo se apresenta como a via por excelência da dominação de classe no país. É o PT quem permite aos capitalistas brasileiros toda a tranquilidade e estabilidade necessárias para seguirem extraindo seus lucros às custas do proletariado. Quantas vezes não vimos os sindicatos petistas, como CUT e CTB, desmobilizarem greves e aceitarem acordos salariais rebaixados? Mais que isso, não podemos esquecer dos momentos em que os sindicatos petistas e o próprio PT enfraqueceram as mobilizações pelo impeachment de Bolsonaro durante o descalabro da pandemia, assim como esvaziaram as lutas contra as reformas trabalhista e previdenciária.

Por outro lado, enquanto pilar institucional da dominação burguesa no Brasil, recorreu inclusive ao uso da violência para conter qualquer tipo de revolta mais ameaçadora à ordem capitalista. Podemos enumerar alguns casos, como a promulgação da lei antiterrorismo no Governo Dilma e a perseguição e prisão de manifestantes durante as revoltas de junho de 2013, num conluio tácito entre o PSDB e o PT. Um ano antes, Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo e hoje vice de Lula, autorizou o massacre no processo de desapropriação da comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos. Parte da esquerda misteriosamente esquece alguns desses fatos, mas nós não.

Para o PT, melhor que a classe não se revolte, trabalhe, aceite o chicote e volte ao matadouro no dia seguinte.

Lula e Flávio não são iguais. Na realidade, este decorre daquele. Explicamos: a queda relativa do PT após as convulsões de junho de 2013 não foi aproveitada pela esquerda, que preferiu, em sua maioria, apoiar o petismo semifalido frente à legítima revolta da classe trabalhadora e dos demais oprimidos do Brasil. O bolsonarismo surgiu como alternativa à direita para capturar essa revolta, estampada no rosto de trabalhadores e pequeno-burgueses empobrecidos na esteira da recessão econômica de 2015-2016, na ressaca do boom das commodities dos anos 2000. O vácuo de poder e a crise de dominação dos capitalistas após anos de tranquilidade permitiu que uma figura minúscula na política pudesse chegar à cadeira presidencial.

Não, os atuais candidatos são coisas diferentes. Mas expressam, cada um a seu modo, uma política que serve como salvaguarda para a exploração desenfreada do proletariado pela burguesia. Lula é a alternativa da estabilidade democrático-burguesa, do aparelhamento consistente dos mecanismos de luta independentes da classe trabalhadora. Assemelha-se à figura do bombeiro, sempre à disposição para apagar qualquer princípio de incêndio capaz de derrubar o edifício dos exploradores. Flávio opta pelo caos, se movendo nas fissuras e nas brechas que as instituições burguesas possuem, ganhando aqui e ali com a corrupção mesquinha que é a marca de sua família. Ao mesmo tempo, seu governo é a promessa do ataque aberto contra a classe, colocando na ordem do dia o rebaixamento das condições de trabalho e o fim de uma série de direitos. Alternativas diferentes, mas quem sai perdendo é sempre o trabalhador. Por um lado, o imobilismo e o bloqueio de qualquer movimento de luta organizada e independente das burocracias sindicais. Por outro, a sangria aberta, explícita.

É por isso que, nessas eleições, nosso voto é nulo! Votamos nulo porque defendemos uma alternativa que se opõe a um sistema de dominação de classe que, a cada quatro anos, é validado pelo jogo eleitoral. Ao mesmo tempo, não votaremos nos partidos que se colocam como vanguarda e que lançaram candidaturas, tais como UP, PCB, PCO e PSTU, continuam defendendo um programa que, no limite, aponta para o manejo do Estado, sem romper com ele em definitivo. Estão restritos, por isso, ao horizonte da democracia burguesa. A saída não passa por isso. Também não passa pela defesa de um político ou outro que hoje pede o nosso voto, mas que amanhã nos joga para os leões. A saída passa, em primeiro lugar, pela denúncia do caráter farsesco de uma eleição que não resolve os nossos problemas, só os empurra com a barriga. Somos, ao contrário, pela construção de um partido realmente de esquerda e revolucionário, com um programa que atue junto dos interesses mais imediatos da classe trabalhadora, contra as demissões e contra a carestia de vida.

EM 2026, VOTE NULO!

PELA CONSTRUÇÃO DE UM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO!