Transição Socialista

VIVA O DIA INTERNACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA!

Nunca é demais comemorar e saudar o 1º de maio como o dia internacional da classe trabalhadora. A pergunta que deve ser feita é: por qual razão comemoramos?

O 1º de maio existe enquanto data histórica graças à greve geral dos trabalhadores de Chicago em 1886. Lá, mais de 300.000 operários se rebelaram contra as jornadas extenuantes de trabalho, que chegavam a até 17 horas diárias. A luta era por 8 horas de jornada e melhores condições para seus empregos. 3 dias depois, a repressão policial prendeu muitos dos grevistas e ceifou a vida de seus líderes. 3 anos depois, a Segunda Internacional instituiu o 1º de maio como o dia internacional do proletariado.

De lá para cá, 140 anos se passaram. E o que temos hoje?

Desemprego, aumento da exploração e do custo de vida, portas que se fecham à juventude – a classe trabalhadora segue refém da sanha desenfreada dos capitalistas por lucro. Nas utopias reformistas que advogam pelo uso do Estado para obter melhorias parciais e limitadas, as lutas e os esforços de organização autônoma dos trabalhadores são quebrados e diluídos. “As revoluções não são necessárias, com reformas podemos conquistar pouco a pouco as melhorias que precisamos” – diz a esquerda reformista e institucional. “Se escolhermos um bom presidente e elegermos um congresso progressista, ganhamos espaço para defender as pautas dos trabalhadores” – diz a esquerda eleitoreira. E diante disso resta a classe, dispersa, cada vez mais exausta, com salários que duram menos com o passar dos dias, com um medo crescente de parar na fila da miséria.

No Brasil, apesar dos exemplos de resistência e vitórias parciais, a classe amarga os efeitos da Reforma Trabalhista – as jornadas intermitentes, as contratações temporárias, a precarização cada vez maior das relações de trabalho. Ao mesmo tempo, observa a histeria dos patrões frente a melhorias mínimas na jornada, como no caso da proposta rebaixada de jornada 5×2, emplacada por parlamentares reformistas. Aqui perto, na Argentina, a motosserra de Milei tenta aprovar leis que derrubam direitos básicos dos trabalhadores, aumentando a jornada para até 12 horas diárias e reduzindo o valor a ser pago por indenizações.

Diante disso, o que fazem as centrais sindicais no 1º de maio? O transformam num dia de festa. Num showmício. Sorteiam carros, televisores, sofás, bicicletas, cafeteiras. Anunciam suas colônias de férias na praia. Mas, o mais grave: limitam qualquer horizonte político dos trabalhadores ao próximo ciclo eleitoral. Defendem o candidato que melhor garante a manutenção do aparato burocrático dos sindicatos. Impedem de modo intencional o surgimento e o crescimento de organizações operárias autônomas e radicais.

Por que, então, comemoramos o 1º de maio? Não é pela festa, não é pelo feriado. É pelo significado histórico que essa data traz para a luta dos trabalhadores no Brasil e no mundo. É porque ela só é o 1º de maio graças a operários que sangraram em defesa de melhores jornadas e melhores condições de trabalho. É porque ela guarda em si o fogo revolucionário que apenas o proletariado pode desatar de forma consciente diante das tormentas que o capitalismo produz todos os dias.

Por isso, chamamos os lutadores e as lutadoras espalhados pelo país para que se somem aos atos que procuram resgatar o real sentido do 1º de maio. Atos que se pautam pela defesa das condições básicas de vida da classe trabalhadora e que recusam o conformismo eleitoreiro e sindical.

Para que o socialismo deixe de ser apenas mais uma frase dos dias de festa, para que o comunismo deixe de ser apenas mote eleitoral à direita e à esquerda, dizemos, segundo as raízes históricas do 1º de maio: a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos!

VIVA O 1º DE MAIO!

VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!