A queda de Dilma, por impeachment ou não, cria melhores condições pra necessidade histórica de construção de uma nova direção revolucionária pros trabalhadores no Brasil. Não podemos justamente neste momento de acerto de contas estender sequer um dedo de apoio a esse governo, ao contrário, devemos ajudar a empurrá-lo.
O texto que ora publicamos, do professor Dr. Hector Benoit, é uma análise de fundo sobre a atual conjuntura. A análise foi produzida em 2006. Apesar de ter já 10 anos, a análise é clarividente e plenamente atual. É com base nela que o MNN, ainda hoje, formula suas políticas de atuação na atual conjuntura de crise do governo petista. Ao final deste texto contamos ainda com um “apêndice” produzido pelo professor Benoit para esta publicação.
A verdade está mais uma vez com a classe operária. Esta semana ela desmontou uma farsa montada pelos pelegos sindicais da CUT no ABC, e, para não deixar dúvidas, apontou novamente o caminho para a esquerda socialista nesta conjuntura.
Segundo os representantes da PF e do MPF, em coletiva nesta sexta-feira, “há provas concretas” de que o núcleo duro do PT constituiu uma organização criminosa que assaltou as riquezas da Petrobras por anos a fio, em conluio com gigantescas empresas, visando ao fortalecimento e enriquecimento do cartel empresarial de construção civil; à criação de uma máquina partidária capaz de garantir a manutenção do PT e aliados no poder; e ao enriquecimento pessoal ilícito de diversos políticos.
Um senador foi preso no exercício de sua função. O petista Delcídio do Amaral é símbolo dos tempos agudos e extraordinários que atravessamos. No áudio que o derrubou ninguém escapou: toda a fina flor da lamacenta política nacional apareceu associada a um projeto de uso privado do Estado.
A despeito das análises que tomam o “lulismo” como consumado, esse fenômeno ainda não surgiu propriamente. Os elementos para que surja, é verdade, existem. Na tradição latinoamericana, em geral, aplica-se o -ismo a governos que negam a institucionalidade democrático-burguesa. São governos de caudilhos, mais ou menos arbitrários, autoritários e autocráticos. Fala-se, por exemplo, de “populismo” e lembra-se, em geral, do varguismo e do peronismo (para ficarmos nos casos mais conhecidos no nosso continente).
A combinação da crise das instituições burguesas com a crise econômica tem colocado os governos dos mais diversos partidos e o Congresso Nacional numa situação limite. Além do profundo desgaste provocado pelos escândalos de corrupção, os governos e o Congresso têm sido obrigados a desvelar seu caráter de classe, ao atacar os direitos dos trabalhadores em nome da continuidade do pagamento da dívida pública aos credores capitalistas.
Durante esta semana, em meio ao aprofundamento das denúncias da Operação Lava-jato, foi noticiado que setores do PT estariam dispostos a iniciar um diálogo com o PSDB.
O governo Dilma prepara o lançamento do PPE, o chamado Plano de Proteção ao Emprego, que prevê a diminuição de 30% da jornada de trabalho com igual diminuição dos salários. Isso significa dividir as nefastas consequências da crise econômica entre todos os trabalhadores empregados, livrando, assim, os capitalistas.
Hoje a forma mais eficaz de barrarmos os ataques do governo é dizendo em alto e bom som “Fora Dilma”.