Antes de responder a essa questão, é preciso refletir rapidamente sobre a conjuntura nacional; é preciso entender o que se passa em nosso país tanto social quanto politicamente.
O Brasil vive uma crise política e institucional sem paralelo na história recente. Os poderes batem cabeça como não se via há décadas, numa guerra quase declarada. Os congressistas, destruindo o pacote contra corrupção do MPF, rindo de toda a nação, tangenciam o ponto de ruptura das instituições. Renan Calheiros cairá, não sem antes abalar as frágeis instituições.
O Rio de Janeiro, como já comentamos muitas vezes, é a melhor expressão dos anos de lulismo no Brasil. Lula e o PT conseguiram, no estado da Guanabara, acabar com todas as oposições (alas opositoras do PMDB, DEM, PSDB, etc.) e fundir toda a política numa geléia geral da corrupção. Claro, para isso foram necessários muito luta e muito dinheiro. Tudo se tornou a instituição do suborno, mas tudo se tornou também — via suborno — escanteamento de adversários.
Muito se discute hoje sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que agora se chamará, no Senado, PEC 55. Após aprová-la, com folga, na Câmara, o governo pretende aprová-la com urgência no Senado. O texto abaixo faz uma explicação sintética do que é a PEC e, em seguida, uma série de apontamentos sem os quais, pensamos, é impossível lutar de verdade, e até o limite, contra a PEC anunciada por Temer.
Afinal, Cunha não era o grande inimigo do PT, o partido visado pela Lava-Jato? Como é possível que Moro esteja prendendo aquele que (para os petistas) seria um grande aliado seu? Cunha seria aquele que, segundo os petistas, ficaria sempre solto, provando que a Lava-Jato era um golpe reacionário (apoiado pelos EUA) para derrubar o PT. Com a prisão de Cunha, fracassa mais uma vez a tese petista, superficial, do “golpe”.
Lula agora está totalmente nas mãos do juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro. As chances de Lula escapar são muito pequenas. Caso condenado em primeira instância, sua defesa recorrerá à segunda instância. Todavia, isso tende a ser em vão, pois a segunda instância, no caso, é o Tribunal Federal Regional de Porto Alegre, que até o momento confirmou 96% das decisões de Moro a respeito da Lava-Jato.
Dilma Roussef será “impeachmada” no começo desta semana e Temer assumirá. Ainda que para alguns não pareça, Dilma foi derrubada pelas massas da população trabalhadora brasileira.
À luta, camaradas! Não temer o futuro! Organizar a classe operária com o programa transitório internacionalista!
O texto que ora publicamos, do professor Dr. Hector Benoit, é uma análise de fundo sobre a atual conjuntura. A análise foi produzida em 2006. Apesar de ter já 10 anos, a análise é clarividente e plenamente atual. É com base nela que o MNN, ainda hoje, formula suas políticas de atuação na atual conjuntura de crise do governo petista. Ao final deste texto contamos ainda com um “apêndice” produzido pelo professor Benoit para esta publicação.
A verdade está mais uma vez com a classe operária. Esta semana ela desmontou uma farsa montada pelos pelegos sindicais da CUT no ABC, e, para não deixar dúvidas, apontou novamente o caminho para a esquerda socialista nesta conjuntura.