Afinal, Cunha não era o grande inimigo do PT, o partido visado pela Lava-Jato? Como é possível que Moro esteja prendendo aquele que (para os petistas) seria um grande aliado seu? Cunha seria aquele que, segundo os petistas, ficaria sempre solto, provando que a Lava-Jato era um golpe reacionário (apoiado pelos EUA) para derrubar o PT. Com a prisão de Cunha, fracassa mais uma vez a tese petista, superficial, do “golpe”.
Crivella foi apoiador dos governos petistas de primeira hora e, em seguida, ministro da Dilma. Crivella é um produto legítimo do fisiologismo lulista. Em seu programa de governo percebe-se o mal-cheiro do improviso. Este caracteriza-se mais pela ausência de qualquer programa, ou seja, pela submissão cega à irracional anarquia capitalista. O programa de Crivella é a expressão da barbárie burguesa atual.
Se o PT foi cada vez mais engrossado por pequeno-burgueses e abandonado pela classe operária, o PSOL, praticamente já nasceu como pequeno-burguês e, assim, totalmente incapaz de enfrentar a grande burguesia e o capital, passando a ser apenas o novo e talvez último bloqueio que resta para a burguesia.
Lula agora está totalmente nas mãos do juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro. As chances de Lula escapar são muito pequenas. Caso condenado em primeira instância, sua defesa recorrerá à segunda instância. Todavia, isso tende a ser em vão, pois a segunda instância, no caso, é o Tribunal Federal Regional de Porto Alegre, que até o momento confirmou 96% das decisões de Moro a respeito da Lava-Jato.
A primeira peça do dominó burguês cairá – vai tarde, Dilma! Quem assume no lugar não é menos pior, mas afinal é preciso iniciar o processo por alguém. Que seja por Dilma! Iniciar um movimento que se voltará contra todos os burgueses e aproveitadores do povo. Agora é hora de garantir com todas as forças a queda da Dilma, mas já é possível atacar o próximo burguês de plantão e dizer em alto e bom som: “Temer, você é o próximo a cair!”
Dilma Roussef será “impeachmada” no começo desta semana e Temer assumirá. Ainda que para alguns não pareça, Dilma foi derrubada pelas massas da população trabalhadora brasileira.
A tarefa central dos revolucionários hoje no Brasil é impedir que a história se repita como farsa; quebrar esse processo acomodado e confortável em que o bom filho sempre à casa torna. É preciso romper o ciclo vicioso e abrir possibilidades novas, mais arriscadas, desconhecidas, mas que certamente levam a um caminho mais promissor. A “reorganização” da esquerda precisa levar à formação de uma organização de revolucionários, bolcheviques, vinculados à classe operária, inseridos nas principais forças produtivas brasileiras, armada de um programa dialético-transitório, ou não levará a lugar algum.
Nesta conjuntura específica defender novas eleições tende a ser um grande tiro no pé da própria esquerda socialista, com consequências danosas à organização futura da classe trabalhadora.
O governo Temer será um governo de crise permanente. Veja-se o caso Jucá, homem forte do governo. Isso não significa que as massas queiram derrubar este governo já. Há um receio generalizado nas massas de piora rápida e acelerada da situação econômica em caso de ainda maior instabilidade. Por mais que não gostem de Temer, mostram as pesquisas que as massas preferem ou deixá-lo no lugar ou convocar novas eleições. As massas não estão de modo algum erguendo o “Fora Temer”. As exceções são os meios pequeno-burgueses, que até ontem apoiaram Dilma diretamente ou pela “neutralidade” esquerdista.
À luta, camaradas! Não temer o futuro! Organizar a classe operária com o programa transitório internacionalista!