Não existe realmente um partido de esquerda no Brasil. Para entender isso é necessário compreender o significado dos termos “esquerda” e “direita” ao longo da história, bem como aplicar o significado real (atual) para os partidos hoje existentes.
Os atos de 03/07 foram a pedra na vidraça de Bolsonaro. Todavia, também denotam risco de paralisia do movimento. Para piorar, serviçais esquerdistas de Lula, como o PCO, atuam para impedir a massificação. São os que querem manter o movimento em banho-maria até a eleição de 2022. Contra tudo isso, é necessário buscar as massas trabalhadoras onde estão e as vincular à luta pelo impeachment. O movimento de ruas pode desatar algo maior nos locais de trabalho.
Texto aprovado em abril de 2021, no III Congresso da Transição Socialista.
Como Bolsonaro se manteve e ainda se mantém no poder? O que falta para a explosão de uma revolta da classe trabalhadora contra Bolsonaro e o apodrecido regime burguês?
Derrubar Bolsonaro hoje é a melhor forma de enfraquecer Lula e a dominação burguesa amanhã.
É acintoso! Como é possível que Bolsonaro ainda não tenha sido preso por sua atuação na pandemia? Veja-se sua política negligente em Manaus. Veja-se a defesa pública da cloroquina (como no discurso da “motociada”, na última semana).
A única coisa que explica por que Bolsonaro não foi derrubado e preso até agora é a politicagem nojenta que vive neste país. Não há qualquer racionalidade na condução dos problemas públicos/estatais, apenas as negociatas e jogo de poder.
A crise política, econômica e sanitária se aprofunda a largos passos no Brasil. A população, assolada pelo desemprego (14,4% da população, ou 14,4 milhões de pessoas), pela corrosão dos salários frente à inflação e pelo vírus (chegamos na terça-feira na marca criminosa de 450.000 mil brasileiros mortos por COVID), está compreensivelmente desesperada e cada vez mais revoltada.
Há poucos meses queriam que nós, da TS, votássemos em Boulos (e variantes lulistas) para impedir o “perigo da direita”. Hoje Boulos senta pra jantar com representantes da burguesia evangélica brasileira.
Frente à precipitação da crise social no país, resultado da avassaladora crise econômica e do descontrole absoluto da pandemia, a burguesia se encontra num patamar a cada dia mais elevado de ingovernabilidade. A maioria da população brasileira, por outro lado, está à beira da morte, seja pela fome, seja pelos efeitos da pandemia no seu momento mais crítico.
O PSTU naufragou neste pleito. Seus resultados foram muito menores do que nos últimos anos e sua política no segundo turno foi capitulacionista. Tais problemas, expressões agudas da falta de programa revolucionário, demarcam que o PSTU não terá protagonismo na futura reorganização dos revolucionários.
A “onda bolsonarista” se mostrou uma marolinha. Nada se confirmou da “tendência fascista”. A “onda bolsonarista” durou dois anos, menos que a “onda” do oportunismo petista. Esta foi mais profunda e teve um caráter mais nefasto para a luta da classe trabalhadora do que as patetadas bolsonaristas.
Nas cidades em que atuamos, nós, da Transição Socialista, orientamos nossa militância a votar nos candidatos do PSTU. Recomendamos também todos os que nos acompanham, leitores e companheiros de caminhada, a fazerem o mesmo.