Não existe realmente um partido de esquerda no Brasil. Para entender isso é necessário compreender o significado dos termos “esquerda” e “direita” ao longo da história, bem como aplicar o significado real (atual) para os partidos hoje existentes.
A crise política, econômica e sanitária se aprofunda a largos passos no Brasil. A população, assolada pelo desemprego (14,4% da população, ou 14,4 milhões de pessoas), pela corrosão dos salários frente à inflação e pelo vírus (chegamos na terça-feira na marca criminosa de 450.000 mil brasileiros mortos por COVID), está compreensivelmente desesperada e cada vez mais revoltada.
Há poucos meses queriam que nós, da TS, votássemos em Boulos (e variantes lulistas) para impedir o “perigo da direita”. Hoje Boulos senta pra jantar com representantes da burguesia evangélica brasileira.
Frente à precipitação da crise social no país, resultado da avassaladora crise econômica e do descontrole absoluto da pandemia, a burguesia se encontra num patamar a cada dia mais elevado de ingovernabilidade. A maioria da população brasileira, por outro lado, está à beira da morte, seja pela fome, seja pelos efeitos da pandemia no seu momento mais crítico.
O PSTU naufragou neste pleito. Seus resultados foram muito menores do que nos últimos anos e sua política no segundo turno foi capitulacionista. Tais problemas, expressões agudas da falta de programa revolucionário, demarcam que o PSTU não terá protagonismo na futura reorganização dos revolucionários.
A “onda bolsonarista” se mostrou uma marolinha. Nada se confirmou da “tendência fascista”. A “onda bolsonarista” durou dois anos, menos que a “onda” do oportunismo petista. Esta foi mais profunda e teve um caráter mais nefasto para a luta da classe trabalhadora do que as patetadas bolsonaristas.
Nas cidades em que atuamos, nós, da Transição Socialista, orientamos nossa militância a votar nos candidatos do PSTU. Recomendamos também todos os que nos acompanham, leitores e companheiros de caminhada, a fazerem o mesmo.
Reproduzimos texto de Hector Benoit em resposta ao artigo “Por que a candidatura Boulos/Erundina é um catalisador eleitoral?”, de Valério Arcary, publicado na revista Fórum em 24/09/2020.
O programa de Boulos não é capaz de dar qualquer saída revolucionária para a classe trabalhadora, e servirá como mais um braço da ordem burguesa. Não vote em Boulos! Não ajude a criar mais uma farsa traidora da classe trabalhadora!
Todas as sumidades intelectuais do país estão sendo convocadas para responder à questão, à pergunta de um milhão de dólares, mas preferem crer em fascismo da Regina Duarte, golpe e duendes, ou colocar a culpa no “povão”…